sábado, 26 de fevereiro de 2011

Debbie Friedman (1951-2011)

Homenagem à cantora norte-americana Debbie Friedmann, uma das maiores estrelas da música judia, que morreu recentemente, aos 59 anos

domingo, 20 de fevereiro de 2011

História reinventada da formiga

(imagem do Google)

A D. Formiga, amiga da D. Cigarra, como toda a gente sabe, passou toda a sua vida afadigada a colher e a armazenar mantimentos, numa correria doida que nada descansava à sua volta.

Mas, um dia, chegou inevitavelmente o tempo da sua reforma e nunca mais a D. Formiga poderia movimentar-se e correr com a velocidade e azáfama com que sempre trabalhara e era exigência do Formigueiro, pois a Empresa era agora constituída unicamente por formigas mais jovens, ágeis e activas.

A D. Formiga possuía agora umas antenas cansadas, umas pernas trôpegas e já não tinha de marcar o ponto no Formigueiro. Atingira uma certa idade e, por isso, tinha sido dispensada do trabalho.

Então, D. Formiga ficou muito triste e resolveu telefonar à sua velha amiga, a D. Cigarra.

Com voz muito fraquinha, a D. Cigarra atendeu o telemóvel e exclamou:

- Está lá? Quem fala? Não tenho este número gravado no meu telemóvel...

- Oh, minha amiga D. Cigarra, é a tua amiga D. Formiga. Há tanto tempo que a gente não se falava... Como estás?

- Olá amiga D. Formiga. Ainda bem que me telefonaste. Eu estou no Hospital Geral dos Insectos. Fui operada à garganta, não consigo cantar, sinto-me muito sozinha, sabes?

- Ai, minha querida amiga D. Cigarra! Eu vou já aí visitar-te e fazer-te companhia!

E foi assim que a D. Formiga, depois da reforma e quando já se julgava uma inútil, descobriu a sua vocação de querer ajudar quem precisava.

A D. Formiga inscreveu-se como voluntária no hospital da sua zona de residência e lá vai ela, e cá vem ela, para lá e para cá, afadigada outra vez e toda feliz, porque é solidária com a D. Cigarra e com os outros insectos que estão doentes e tanto necessitam do seu apoio.


Isabel Antunes

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Povos querem falar de Deus


Este livro (escrito por dois editores da revista "Economist", um católico e um ateu) tem muito interesse, por aquilo que revela sobre as modernas tendências religiosas.
E tira algumas conclusões surpreendentes...
"Este livro mostrou que os teóricos da secularização estão errados ao afirmarem que a modernidade e a religião são incompatíveis. A religião sempre prosperou no país mais moderno do mundo (e na sua cidade mais cosmopolita). Agora, está também a prosperar na maior parte do mundo modernizado, desde a Ásia ao Médio Oriente. As grandes forças da modernidade - tecnologia e democracia, escolha e liberdade - estão a fortalecer a religião em vez de a minar.
Dêem às pessoas a liberdade de controlarem a sua vida e, para melhor ou para o pior, optam frequentemente por dar à religião mais força. Dêem às pessoas religiosas a tecnologia moderna e elas usam-na para comunicar a Palavra de Deus a uma faixa cada vez mais vasta de fieis. George Bush (quer revelando o seu íntimo secular liberal, quer ignorando a história da América) viu a democracia como uma forma de enfraquecer o islão. Mas, de facto, quanto mais democrático o Médio Oriente se torna mais os "partidos de Deus" prosperam. A democratização da China, se alguma vez acontecer, podia causar, no cristianismo, um dos maiores picos da história da humanidade. «A democracia está a dar voz aos povos do mundo e eles querem falar de Deus», escreveram Timothy Shah e Monica Toft." (pp.500-501)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Onde está o sal dos crentes?

Salinas de Aveiro (via Google Imagens)

"Com uma pincelada não isenta de humor, Jesus define os seus seguidores com um traço a que nós, os cristãos, provavelmente, demos pouca atenção: Jesus vê os seus discipulos como homens e mulheres chamados a ser «sal da terra». Pessoas que põem sal na vida. «Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar?».

Os especialistas aprofundaram, nos seus diversos aspectos, o simbolismo religiososo do sal, bastante grande no mundo antigo. O sal aparece como imagem do que purifica, do que dá sabor, do que conserva e dá vida aos alimentos. Provavelmente, as pessoas simples que ouviam Jesus captavam com toda a frescura o simbolismo contido no sal e entendiam que o sal podia pôr na vida humana um sabor e uma «graça» desconhecidos.

O teólogo americano Harvey Cox dizia que o homem ocidental «ganhou o mundo inteiro mas perdeu a alma. Comprou a prosperidade pelo preço dum vertiginoso empobrecimento dos seus elementos vitais». Muitos sentem-se ameaçados pelo tédio, pelo aborrecimento, pelo sem sentido da vida.

São complexas, sem dúvida, as raízes deste fenómeno. Parece que a sociedade industrial nos tornou mais produtivos, metódicos e organizados, mas também menos festivos, lúdicos e imaginativos.

Com frequência procuramos angustiosa e obsessivamente passar bem, sem encontrar dentro de nós uma verdadeira fonte de vida. Talvez tenhamos caído «numa anemia de vida interior» que nos impede de experimentar e viver a vida de cada momento de maneira mais intensa, gozoza e fecunda.

Onde está o sal dos crentes? Onde há crentes capazes de contagiar o seu entusiasmo aos outros? Não se nos tornou insossa a fé?

José Antonio Pagola

Se o sal se corrompe...

"Os cristãos fizeram todo o possível para esterelizar o evangelho; dir-se-ia que o mergulharam num líquido neutralizante. Adormece-se tudo o que impressiona, supera ou vira ao contrário. Convertida, desta forma, em algo inofensivo, esta religião aplanada, prudente e razoável, o homem não pode senão vomitá-la".
Paul Evdokimov, teólogo de S.Petersburgo, citado por José Antonio Pagola.